Quinta, 16 Março 2017 14:56

Uma "revolução do coração"

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Pe. Werenfried em uma de suas homilias no "caminhão-capela", um dos primeiros projetos da ACN. Pe. Werenfried em uma de suas homilias no "caminhão-capela", um dos primeiros projetos da ACN.

Queridos amigos, o ano de 2017 é marcado por dois grandes aniversários, mas que são completamente opostos: 100 anos se passaram desde que a Mãe de Deus apareceu em Fátima em 1917 e que a Revolução Comunista Russa estourou na Rússia. Esses eventos importantes na história mundial também formaram o contexto no qual a ACN – Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre – foi fundada em 1947.

Era uma iniciativa temporária, chamada à vida imediatamente após a II Guerra Mundial para aliviar as dificuldades dos refugiados e que se desenvolveu ao longo dos setenta anos seguintes em um movimento espiritual global que prega uma “revolução do coração”. Essa “revolução” não se baseia nos falsos mitos do comunismo ímpio, ou do relativismo humanista, mas na realidade se baseia na cruz de Jesus Cristo, com o seu coração perfurado. Sem essa realidade, tudo se torna “pós-factual” – usando a palavra internacional do ano 2016 – onde apenas os sentimentos e as opiniões humanas são importantes. O amor, no entanto, é sempre concreto. Milhares e milhares de fatos podem ser citados a partir da história dos setenta anos da ACN, ao longo dos quais ela se tornou uma fonte de esperança. No entanto, tudo isto só aconteceu devido a uma única realidade: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (João 3,16-17). A esperança que não emanar desta fonte divina, mas do messianismo de algum sistema, termina em absurdo e em niilismo.

Durante setenta anos, a maior parte do mundo ocidental não foi assolada pela guerra. No entanto, não podemos dizer que neste período reinou a paz. Em várias ocasiões o Papa Francisco falou da III Guerra Mundial, em que o mundo está entrando de forma “fragmentada”. Podemos ainda impedir que os fogos da guerra se espalhem pelo mundo inteiro? Não dá para dizer. Mas sabemos – como nos prometeu Nossa Senhora em Fátima, Rainha do Santo Rosário – que “no final o seu Imaculado Coração triunfará”. Será que podemos esperar que iremos ver esse triunfo de amor durante o Jubileu de Fátima? Claro! Mas não veremos nada se mantivermos nossas mãos descansando e nossas cabeças olhando para o chão. Se mantivermos essa fé, o ano de 2017 deverá ser um marco para nós. Como somos uma obra de caridade pontifícia, gostaríamos de intensificar nossos esforços para ajudar a Igreja a levar o triunfo do Imaculado Coração para todo o mundo. Trata-se de aplicar o amor, que é mais do que apenas cumprir com o dever e a benevolência, mas que também exige sacrifício e por isso tem sua fonte no sacrifício eucarístico.

O mártir romeno beato Vladimir Ghika descreveu acertadamente a conexão entre a liturgia eucarística e a “liturgia da caridade”: “O pobre vê Cristo vir a ele na manifestação daquele que o ajuda – e o benfeitor reconhece o Cristo sofredor no pobre ser humano a quem ele está ajudando. É por isto que há uma verdadeira liturgia, porque quando a boa ação, se feita corretamente, é completa, Cristo pode ser encontrado em ambos os lados. Cristo, o Salvador, vem ao Cristo sofredor e ambos estão unidos no Senhor Ressuscitado, que é glorificado e que abençoa. Desta forma, a liturgia eucarística que se celebra nos altares, é continuada no serviço aos pobres. Não é nada mais que estender a Santa Missa ao longo do dia e por todo o mundo, tal como em círculos concêntricos, que começando com a Sagrada Comunhão pela manhã, se estendem concentricamente em círculos cada vez maiores”.

Este é o programa que devemos seguir na ACN nos próximos setenta anos.

Pe. Martin Barta

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